"A NR-1 e coisa de empresa grande." Esse e o mito mais perigoso que uma pequena empresa pode ter sobre a nova norma. A NR-1 atualizada se aplica a todas as empresas com empregados CLT, sem exceção de porte, segmento ou faturamento. A partir de 26 de maio de 2026, microempresas, empresas de pequeno porte e até MEIs com funcionários precisam ter o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) atualizado — incluindo os riscos psicossociais. A boa noticia: existe o PGR simplificado, e e possível se adequar gastando muito menos do que se imagina.
Neste guia prático, você vai entender o que a NR-1 exige de pequenas empresas, como elaborar o PGR simplificado, quais riscos psicossociais são mais comuns em PMEs, quanto custa a adequação e os erros mais comuns que colocam pequenas empresas em risco de autuação.
1. A NR-1 se aplica a pequenas empresas?
Sim, sem nenhuma exceção. O artigo 1 da NR-1 e claro: as Normas Regulamentadoras se aplicam a todos os empregadores e trabalhadores que possuam empregados regidos pela CLT. Isso inclui:
- MEI (Microempreendedor Individual) com 1 empregado CLT
- Microempresas (ME) com faturamento até R$ 360.000/ano
- Empresas de Pequeno Porte (EPP) com faturamento até R$ 4,8 milhões/ano
- Empresas do Simples Nacional — o regime tributário não interfere na obrigação
- Prestadores de serviço com empregados próprios registrados
O que diferencia as pequenas empresas das grandes não é a obrigatoriedade, mas o nível de complexidade do PGR exigido. E ai que entra o PGR simplificado.
Prazo: 26 de maio de 2026. Pequenas empresas sem PGR atualizado estão sujeitas as mesmas multas que as grandes: R$ 2.396 a R$ 6.708 por item irregular. Use o Monitor NR-1 gratuito para avaliar sua situação agora.
2. O que é o PGR simplificado
O PGR simplificado e uma versão reduzida do Programa de Gerenciamento de Riscos, prevista na NR-1 para empresas menores com menor grau de risco. Ele tem os mesmos elementos essenciais do PGR completo, mas com metodologia menos formal e exigências de documentação mais enxutas.
Quem pode usar o PGR simplificado?
O PGR simplificado e permitido para empresas que atendam todos os seguintes critérios:
- Porte: Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP), enquadradas no Simples Nacional ou optantes por regime simplificado
- Grau de Risco: GRO (Grau de Risco Ocupacional) 1 ou 2, conforme o código CNAE da empresa
- Número de empregados: até 25 funcionários (para GRO 1 ou 2)
Empresas com GRO 3 ou 4, ou com mais de 25 empregados nesses graus, devem elaborar o PGR completo, mesmo que sejam micro ou pequenas empresas.
3. PGR simplificado vs PGR completo
| Critério | PGR Simplificado | PGR Completo |
|---|---|---|
| Quem pode usar | ME/EPP, GRO 1 ou 2, até 25 func. | Todas as empresas fora dos critérios acima |
| Responsável | Empregador capacitado ou técnico SST | Profissional habilitado SST (obrigatório) |
| Inventário de riscos | Lista de verificação por posto de trabalho | Avaliação quantitativa/qualitativa completa |
| Riscos psicossociais | Obrigatório (mesmo simplificado) | Obrigatório com metodologia formal |
| SESMT | Não obrigatório (até 50 func. GRO 1/2) | Obrigatório acima de 50 func. GRO 3/4 |
| CIPA | Obrigatória a partir de 20 func. | Obrigatória a partir de 20 func. |
| Canal de denúncias | Obrigatório a partir de 20 func. (Lei 14.457) | Obrigatório a partir de 20 func. (Lei 14.457) |
| Custo estimado | R$ 800 a R$ 3.000 | R$ 5.000 a R$ 25.000+ |
4. Passo a passo: como elaborar o PGR simplificado com riscos psicossociais
Passo 1: Identifique os postos de trabalho
Liste todas as funções existentes na empresa e os locais onde são exercidas. Para cada posto, descreva brevemente as atividades realizadas. Em uma empresa pequena, isso geralmente resulta em 3 a 10 postos de trabalho distintos.
Passo 2: Identifique os riscos por posto
Para cada posto de trabalho, identifique os riscos presentes usando as cinco categorias da NR-1:
- Físico: ruído, calor, frio, vibracoes, radiações
- Quimico: gases, vapores, poeiras, neblinas
- Biologico: bacterias, vírus, fungos, parasitas
- De acidente: quedas, cortes, choques elétricos, máquinas
- Psicossocial: sobrecarga, assédio, deslocamento, falta de autonomia
Passo 3: Avalie a magnitude de cada risco
Para o PGR simplificado, a avaliação pode ser qualitativa, classificando cada risco como baixo, médio ou alto com base em dois critérios: probabilidade de ocorrência e gravidade do dano potencial.
Passo 4: Defina as medidas de controle
Para cada risco de magnitude media ou alta, defina ao menos uma medida de controle. Para o PGR simplificado, as medidas podem ser administrativas (procedimentos, treinamentos, políticas) ou de equipamento de proteção. Medidas de eliminação do risco na fonte são sempre preferidas.
Passo 5: Documente e assine
Reúna tudo em um documento escrito, com data, assinatura do responsável técnico e evidências de que os colaboradores foram informados sobre os riscos e medidas de controle.
5. Modelo prático de PGR simplificado: estrutura mínima
O PGR simplificado deve conter no mínimo as seguintes secoes:
- 1. Identificação da empresa — CNPJ, razão social, CNAE, grau de risco, número de empregados, responsável pela elaboração
- 2. Descrição dos postos de trabalho — funções, atividades, locais e horários de trabalho
- 3. Inventário de riscos — tabela com risco, fonte, magnitude (baixo/médio/ alto) e número de trabalhadores expostos, para cada posto e para cada categoria de risco (incluindo psicossocial)
- 4. Plano de ação — para cada risco médio ou alto: medida de controle, responsável, prazo e indicador de monitoramento
- 5. Monitoramento — indicadores que serão acompanhados e frequência de revisão do PGR
- 6. Assinatura e data — responsável técnico, CNPJ, data de elaboração e próxima revisão
6. Riscos psicossociais mais comuns em PMEs
As pequenas empresas tem um perfil de riscos psicossociais distinto das grandes corporações. Os fatores mais frequentes são:
Sobrecarga do dono e acúmulo de funções
Em PMEs, e comum que o próprio empregador e os colaboradores acumulem funções que em empresas maiores seriam de responsabilidade de áreas distintas. Um vendedor que também faz financeiro, entrega e atende o SAC esta em risco elevado de esgotamento. Esse fator deve constar no PGR.
Informalidade nas relações de trabalho
A proximidade entre dono e empregado em empresas pequenas pode ser positiva, mas também pode gerar situações de assédio moral não intencional: exigências fora do horário, pressão por resultados sem clareza de metas, ausência de limites entre vida pessoal e profissional.
Insegurança no emprego
Colaboradores de pequenas empresas costumam ter maior percepção de insegurança no emprego, especialmente em setores sazonais ou quando a empresa depende de poucos clientes. Esse fator deve ser avaliado e mitigado com comunicação transparente.
Deslocamento extenuante
PMEs frequentemente contratam colaboradores de bairros distantes, pois oferecem remuneração abaixo da media de grandes empresas e precisam buscar trabalhadores onde o custo de vida e menor. Isso resulta em deslocamentos longos que devem ser mapeados no PGR.
Falta de suporte e treinamento
A ausência de programas estruturados de desenvolvimento e a falta de suporte técnico para resolução de problemas geram estresse e sensação de abandono nos colaboradores de PMEs.
7. CIPA: obrigatória a partir de 20 funcionários
A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) e obrigatória para empresas com 20 ou mais empregados, conforme a NR-5. Para empresas menores, ha alternativas:
| Porte | CIPA | Alternativa |
|---|---|---|
| Até 19 empregados | Não obrigatória | Designar responsável interno de SST |
| 20 a 50 empregados | Obrigatória (composição mínima) | Seguir NR-5 e Lei 14.457 |
| Acima de 50 empregados | Obrigatória (composição plena) | Considerar SESMT se GRO 3/4 |
Para empresas com menos de 20 funcionários, recomenda-se designar formalmente um empregado como responsável pelo acompanhamento do PGR e pela comunicação de riscos. Esse papel pode ser acumulado com outras funções, mas deve ser documentado.
8. Custos reais de adequação para PMEs
O custo de adequação a NR-1 varia conforme o porte da empresa, o grau de risco e o quanto já esta feito. Estimativas reais para cada faixa:
| Porte | Investimento estimado | O que inclui |
|---|---|---|
| MEI ou até 5 func. (GRO 1/2) | R$ 500 a R$ 1.500 | PGR simplificado básico, treinamento mínimo |
| 6 a 20 func. (GRO 1/2) | R$ 1.500 a R$ 5.000 | PGR simplificado, PCMSO básico, treinamentos |
| 21 a 50 func. (GRO 1/2) | R$ 4.000 a R$ 10.000 | PGR completo ou simplificado, CIPA, canal denúncias, treinamentos |
| Até 50 func. (GRO 3/4) | R$ 8.000 a R$ 20.000 | PGR completo, laudos técnicos, EPC/EPI, CIPA |
Compare com o custo da não adequação: multa de R$ 2.396 por item irregular, mais risco de ação trabalhista com indenização media de R$ 20.000 a R$ 50.000. O investimento na adequação e muito menor que o risco jurídico.
9. Ferramentas acessíveis para conformidade
Pequenas empresas não precisam depender exclusivamente de consultorias externas caras. Hoje existem ferramentas digitais que tornam a gestão de conformidade acessível:
- Otimiza NR-1 (trial gratuito) — plataforma SaaS que usa IA para analisar os documentos da empresa, gerar um score de conformidade por 10 domínios da NR-1 e entregar um plano de ação priorizando os pontos críticos. Ideal para PMEs que querem entender rapidamente onde estão as lacunas
- Monitor NR-1 gratuito — avaliação rápida do nível de risco em 2 minutos, sem necessidade de cadastro, disponível em /nr1
- Modelos de PGR do MTE — o Ministério do Trabalho disponibiliza modelos de PGR simplificado que podem ser adaptados para cada empresa
- Consultorias de SST online — profissionais autônomos de segurança do trabalho que atendem PMEs remotamente, com custo entre R$ 800 e R$ 3.000 pelo PGR simplificado
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Com base nas fiscalizações do Ministério do Trabalho e nas consultorias de adequação realizadas, estes são os erros mais frequentes de pequenas empresas:
- Acreditar que "não cai em fiscalização" — o MTE prioriza empresas com histórico de acidentes, mas qualquer empresa pode ser fiscalizada por denúncia de ex-funcionários ou em campanhas setoriais. O custo de estar irregular e sempre maior que o de se adequar.
- PGR desatualizado ou copiado da internet — um PGR genérico que não reflete os riscos reais da empresa não tem valor jurídico e não protege o empregador em caso de acidente ou doença ocupacional.
- Omitir os riscos psicossociais — o erro mais comum em 2026. Mesmo o PGR simplificado de uma empresa de 3 pessoas precisa identificar riscos como sobrecarga, assédio e deslocamento extenuante.
- Não mapear os deslocamentos dos colaboradores — colaboradores que levam mais de 90 minutos para chegar ao trabalho estão em risco psicossocial elevado. Isso precisa estar documentado no PGR, mesmo em empresas pequenas.
- PGR sem assinatura ou data — um documento sem data e assinatura do responsável técnico não comprova nada em uma fiscalização.
- Não atualizar o PGR após mudanças — contratar um novo funcionário, mudar de sede, ampliar o horário de funcionamento — qualquer mudança relevante exige revisão do PGR.
- Não comunicar os riscos aos trabalhadores — a NR-1 exige que os trabalhadores sejam informados sobre os riscos aos quais estão expostos e as medidas de proteção. Um registro dessa comunicação (e-mail, ata, assinatura) deve ser mantido.
- Confundir PGR com PPRA — o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) foi incorporado ao PGR. Empresas que ainda mantém apenas o PPRA estão em descumprimento da NR-1 atual.
Perguntas frequentes sobre NR-1 para pequenas empresas
MEI precisa se adequar a NR-1?
Sim, se tiver empregado CLT. O MEI pode ter 1 empregado. Nesse caso, precisa elaborar o PGR simplificado, incluindo os riscos psicossociais. Como e apenas 1 colaborador, o documento pode ser muito enxuto, mas precisa existir e ser atualizado.
Qual o custo mínimo para se adequar a NR-1 em uma pequena empresa?
Para empresas com até 10 colaboradores e GRO 1 ou 2, o custo pode ser de R$ 500 a R$ 2.500, incluindo consultoria para elaboração do PGR simplificado e treinamentos básicos. Ferramentas digitais como o Otimiza NR-1 podem reduzir ainda mais esse custo.
Uma empresa sem funcionário precisa de PGR?
Não. O PGR e obrigatório apenas para empresas com empregados CLT. Socios e MEIs sem funcionários não precisam de PGR, embora devam observar as NRs aplicáveis ao seu segmento.
Pequenas empresas precisam incluir riscos psicossociais no PGR?
Sim, sem exceção. A obrigatoriedade de incluir riscos psicossociais no PGR vale para todas as empresas, independentemente do porte. A diferença e que as pequenas empresas podem usar metodologia mais simples para identificar e avaliar esses riscos.
Como elaborar o PGR simplificado sem contratar consultoria externa?
E possível elaborar internamente se o responsável tiver capacitação básica em SST. Use as listas de verificação do MTE, identifique os riscos por posto de trabalho, avalie a magnitude e defina as medidas de controle. Ferramentas como o Otimiza NR-1 automatizam grande parte desse processo.